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Dra. Stephanie Lemouche
9 de fevereiro de 2026
O forame oval patente (FOP) é uma condição bastante comum, presente em até um quarto da população. Na maioria das vezes, ele não causa sintomas nem traz riscos. No entanto, em situações específicas, pode estar associado a problemas circulatórios e merece acompanhamento especializado.
Entender o FOP ajuda a tomar decisões informadas e a cuidar da saúde com segurança.
Durante a gestação, o bebê não utiliza os pulmões para respirar. Por isso, existe uma pequena abertura natural entre os átrios do coração, chamada forame oval, que permite a circulação de sangue oxigenado da placent de forma adequada antes do nascimento.
Após o parto, espera-se o fechamento espontâneo desse canal. Quando ele permanece aberto, chamamos de forame oval patente (FOP).
Na maioria dos casos, o FOP é um achado benigno, identificado por acaso em exames como o ecocardiograma, sem causar sintomas e sem necessidade de tratamento.
Embora o FOP seja um achado inofensivo na maioria das pessoas, ele pode ter impacto em situações específicas, pois permite a passagem de sangue (e, eventualmente, pequenos coágulos ou microbolhas) do lado direito para o lado esquerdo do coração, chegando à circulação arterial. Quando isso acontece, o cérebro pode ser afetado. Por isso, alguns cenários exigem cuidado:
Em adultos, quando não há fatores tradicionais para AVC (como fibrilação atrial, alteração na coagulação do sangue, aterosclerose de artérias carótidas ou vertebraias), o FOP pode ser o “caminho” pelo qual um coágulo venoso chega ao cérebro. Quando isso acontece, é recomendado investigar a condição por meio do ecocardiograma com contraste, avaliar escore de risco (RoPE Score) e considerar fechamento percutâneo quando indicado.
No mergulho, a descompressão pode gerar microbolhas no sangue. Com FOP, essas bolhas podem passar diretamente para o lado arterial, aumentando o risco de embolia paradoxal. Esse risco é maior em pessoas que viajam de avião nas 12 a 48 horas após o mergulho, período em que ainda podem existir bolhas no organismo. A avaliação cardiológica pode ser indicada antes de mergulhos profundos e, em alguns casos, o paciente com FOP pode ser orientado a evitar mergulhos ou discutir fechamento percutâneo.
A síndrome da platipneia-ortodeoxia é uma condição rara caracterizada por falta de ar e queda da oxigenação do sangue ao ficar sentado ou em pé, com melhora ao se deitar. Isso acontece porque, em determinadas situações, parte do sangue passa pelos pulmões sem receber oxigênio suficiente quando o corpo está na posição vertical. Como resultado, a oxigenação do organismo diminui quando o organismo está fora da posição deitada.
Esse mecanismo pode estar relacionado a uma comunicação no coração, como o forame oval patente (FOP). No entanto, também pode envolver alterações pulmonares, na circulação sanguínea ou a presença de outras condições clínicas associadas.
Por isso, a investigação adequada é fundamental. Identificar a causa exata permite direcionar corretamente o tratamento e evitar condutas desnecessárias.
É importante reforçar que o FOP merece atenção quando não está apenas presente, mas impacta ativamente a circulação. Isso acontece quando permite que sangue, substâncias ou até coágulos passem por trajetos inadequados.
Nessas situações, o cardiologista avalia o risco individual. São considerados fatores como anatomia cardíaca, sintomas, histórico clínico e escores específicos. A partir dessa análise, define-se a melhor estratégia: acompanhamento clínico, uso de medicação ou fechamento percutâneo do FOP.
Nem todo Forame Oval Patente é igual. Existem características que classificam o FOP como de alto risco, aumentando a chance de eventos cardiovasculares, como AVC. Entre elas:
Para avaliar se um AVC pode estar relacionado ao FOP, utilizamos o RoPE Score, uma ferramenta que considera fatores como:
Quanto maior o RoPE Score, maior a probabilidade de que o FOP tenha relação direta com o evento, e maior a indicação de tratamento intervencionista.
O diagnóstico do FOP é feito por meio de ecocardiograma transtorácico ou transesofágico, exames que permitem observar o fluxo sanguíneo entre os átrios.
Em grande parte dos casos, o tratamento não é necessário. O mais importante é o acompanhamento regular, com avaliações clínicas e exames periódicos.
Na infância, o FOP costuma se fechar espontaneamente com o crescimento e a maturação natural do coração. Mesmo quando permanece aberto, não costuma causar sintomas e não interfere no desenvolvimento, nas atividades ou na prática esportiva, não sendo necessário o seguimento na população pediátrica.
Quando há risco de complicações, existe a possibilidade de fechamento percutâneo do FOP, um procedimento minimamente invasivo realizado por cateter, que dispensa cirurgia aberta. Essa decisão é sempre individualizada, considerando os benefícios e as características de cada adulto.
A correção geralmente é indicada na idade adulta, principalmente quando:
Em crianças, o fechamento é extremamente raro e restrito a casos muito específicos.
A boa notícia é que, mesmo quando o FOP precisa de tratamento, o prognóstico é excelente. A maioria das pessoas leva uma vida absolutamente normal.
Nos casos em que há histórico de AVC ou eventos tromboembólicos, o tratamento pode incluir:
Com acompanhamento especializado, é possível manter o coração saudável e prevenir complicações a longo prazo.
Não. O fechamento é indicado apenas em casos selecionados, quando há sintomas ou eventos associados, como AVC inexplicado. Em crianças e adolescentes é considerado um achado normal.
Sim. Em alguns bebês e crianças pequenas, o FOP pode se fechar espontaneamente nos primeiros anos de vida.
Na maioria dos casos, não. O FOP isolado não costuma causar sintomas e é descoberto apenas em exames de rotina.