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Dra. Stephanie Lemouche
8 de dezembro de 2025
Os corações univentriculares representam um grupo de cardiopatias congênitas raras e complexas em que apenas um ventrículo é funcional. Ou seja, o coração não consegue bombear o sangue de forma eficiente para o corpo e os pulmões ao mesmo tempo.
Esse diagnóstico exige um acompanhamento contínuo e altamente especializado desde o nascimento até a vida adulta. Mais do que tratar, cuidar de um coração univentricular é planejar o presente e o futuro, garantindo o desenvolvimento saudável, segurança nos procedimentos e qualidade de vida.
O termo “coração univentricular” não se refere a uma única doença, mas a um conjunto de anomalias em que há apenas uma câmara ventricular eficaz. Isso pode ocorrer em condições como:
Essas malformações representam cerca de 1,5% das cardiopatias congênitas, mas são responsáveis por parte significativa dos casos de alterações do coração congênitas que requerem cirurgia precoce.
O coração saudável funciona como uma bomba que mantém o sangue circulando por todo o corpo, garantindo que cada célula receba oxigênio e nutrientes. Esse percurso acontece em dois circuitos complementares: a circulação pulmonar e a circulação sistêmica. Na circulação pulmonar (representada pelas setas azuis), o sangue pobre em oxigênio chega ao átrio direito, passa para o ventrículo direito e é enviado aos pulmões, onde libera gás carbônico e recebe oxigênio.
Já na circulação sistêmica (indicada pelas setas vermelhas), o sangue oxigenado retorna ao coração pelo átrio esquerdo, segue para o ventrículo esquerdo e é bombeado para todo o corpo, nutrindo os tecidos e recolhendo resíduos metabólicos. Após cumprir esse trajeto, ele retorna ao lado direito do coração, reiniciando o ciclo que mantém o organismo vivo e em equilíbrio.
Na imagem, é possível entender como é o fluxo sanguíneo dentro de um coração saudável e, assim, entender quais os impactos do coração univentricular.
Já nos corações univentriculares, há apenas um ventrículo funcional — ou seja, o sangue oxigenado e o sangue pobre em oxigênio se misturam parcialmente dentro do coração, sobrecarregando o ventrículo único, que tem que fazer o trabalho de dois.
Como resultado, o coração precisa trabalhar de forma diferente para garantir que o sangue chegue aos pulmões e ao restante do corpo. Por isso, o tratamento envolve uma série de cirurgias planejadas em etapas, que buscam reorganizar o fluxo sanguíneo para tirar a sobrecarga do ventrículo único, mantendo ele com a função apenas de bombear o sangue oxigenado para o corpo.
O tratamento dos corações univentriculares envolve uma sequência de procedimentos que acompanham o crescimento da criança. As principais fases incluem:
Essas etapas não “curam” o coração, mas transformam a circulação, oferecendo melhores níveis de oxigênio, permitem um crescimento mais saudável e maior qualidade de vida. Existem situações raras em que temos limitações e não conseguimos prosseguir com as cirurgias – nesses casos o transplante cardíaco pode ser uma opção.
Após a cirurgia de Fontan, o paciente precisa de seguimento regular com cardiopediatra e equipe multidisciplinar. Isso inclui:
Os avanços na técnica cirúrgica e no cuidado pós-operatório aumentaram significativamente a sobrevida e a qualidade de vida desses pacientes. Hoje, muitos chegam à idade adulta com independência e boa capacidade funcional.
Cada fase da vida traz novos desafios — infância, adolescência e vida adulta exigem ajustes no cuidado. Por isso, o acompanhamento com um cardiologista pediátrico especializado em cardiopatias congênitas e arritmias é essencial para prevenir complicações e orientar a transição para o cuidado no adulto.
Viver com um coração univentricular é uma jornada de atenção contínua, mas também de esperança. A medicina moderna permite que esses pacientes cresçam, estudem, pratiquem esportes com orientação e planejem o futuro com segurança.
Cuidar de um coração univentricular é mais do que tratar uma doença — é acompanhar uma trajetória de superação e planejamento. O acompanhamento próximo com um cardiopediatra garante o controle clínico, o suporte à família e as decisões certas em cada fase da vida.
Agende uma consulta e saiba mais sobre como cuidar do presente e planejar o futuro do seu filho.
Não. As cirurgias não “corrigem” a anatomia, mas reorganizam o fluxo sanguíneo para melhorar a oxigenação e reduzir a sobrecarga cardíaca. O acompanhamento é vitalício.
Não necessariamente. Muitos pacientes vivem bem após após o tratamento cirúrgico, embora o transplante possa ser indicado em casos de falha do circuito ou complicações tardias.
Sim, inclusive extremamente incentivadas! Atividades leves e moderadas são liberadas de rotina, com atividades competitivas sendo liberadas após munuciosa avaliação médica.